O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, revela que, pela primeira vez em sua história, o Brasil entra no grupo de países classificados na categoria “alto desenvolvimento humano”. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro subiu de 0,798 para 0,800, alcançando a pontuação mínima para entrar na elite do desenvolvimento humano.
Apesar deste avanço, a posição do Brasil no ranking de pobreza humana piorou. Ao nascer, o brasileiro tem uma probabilidade de 9,2% de não chegar aos 40 anos; 10% da população não tem acesso à água tratada; e 6% das crianças de até 5 anos sofrem de desnutrição. Uma forma cada vez mais utilizada de alterar esse quadro é conscientizar as pessoas de que elas fazem parte da comunidade em que estão inseridas. Isso se dá por meio do voluntariado, que vem se mostrando uma ferramenta eficaz no combate às mazelas da sociedade.
O voluntário é componente essencial de uma sociedade cada vez mais participativa e responsável. Para homenagear os cidadãos que dedicam seu tempo para ajudar outras pessoas e como forma de reconhecimento internacional da importância da atuação voluntária para uma sociedade mais solidária, a Assembléia Geral da ONU escolheu, em 1985, o dia 5 de dezembro como o Dia Internacional do Voluntário.
No Ano Internacional do Voluntário, celebrado em 2000, foi lançado o Portal do Voluntário, que é fruto de uma parceria entre o Programa Voluntários da Comunidade Solidária, Globo.com e TV Globo. O Dia Internacional do Voluntário, 5 de dezembro, não é o único motivo para comemorações! Hoje, o Portal do Voluntário comemora seu sétimo aniversário e revê seu percurso, além de planejar o que vem pela frente.
Voluntariado no Brasil
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, o Brasil contava em 2005 com mais de 19.7 milhões de voluntários, sendo 53% homens e 47%, mulheres. O Brasil tem um potencial de crescimento enorme na área de voluntariado, diversas pesquisas realizadas sobre o tema apontaram que mais de 60% dos brasileiros entrevistados disseram possuir desejo de trabalhar como voluntário se soubessem como e onde ajudar.
Dados da pesquisa Ipsos Marplan, feita em nove centros urbanos com 50.520 pessoas durante 2004, apontam que os voluntários brasileiros apresentam alto índice de escolaridade: 23% são pós-graduados e 20% já completaram o ensino superior. Esta proporção é bastante superior aos demais níveis de escolaridade: 3% dos voluntários são analfabetos e 9% têm ensino fundamental completo. Ainda de acordo com a pesquisa, dos voluntários brasileiros, 47% são homens e 53% são mulheres. (Fonte: Pesquisa Ipsos Marplan realizada com pessoas maiores de 13 anos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza).
Além de ajudar a comunidade, o voluntário agrega pontos profissionais no momento da seleção para um emprego. Especialistas em recursos humanos dizem perceber nos voluntários, senso de responsabilidade, iniciativa, habilidade para administrar o tempo e capacidade de trabalhar em equipe.
Com relação às fontes de recursos das Organizações Sociais:
- 14% doações individuais;
- 3,2% doações empresariais;
- 14,5% recursos governamentais;
- 68% receitas próprias.
- Com relação às doações:
- 50% fazem doações de alimentos, roupas, calçados, objetos, dinheiro diretamente para instituições;
- 30% fazem doações de bens e dinheiro diretamente para pessoas necessitadas;
- 22,6% doam “tempo”, isto é, fazem trabalhos voluntários. Destes voluntários;
- 16% atuam diretamente em organizações sociais.
Com relação à atuação dos Voluntários:
- 57% atuam em instituições religiosas;
- 17% atuam em instituições de assistência social;
- 14% atuam em áreas de saúde e educação;
- 8% atuam em instituições de defesa de direitos e ações comunitárias.
Com relação às atividades dos Voluntários:
- 53% prestam serviços de limpeza e infra-estrutura;
- 15% atuam na captação de recursos;
- 14% atuam em atividades religiosas;
- 18% em atividades de ensino e treinamento, apoio psicológico e aconselhamento, cuidados pessoais e serviços profissionais em geral.
(Fonte: Doações e trabalho voluntário no Brasil. Uma pesquisa. De Leilah Landim e Maria Celi Scalon)
De acordo com o livro Doações e trabalho voluntário no Brasil, a média de horas doadas é de 74 horas/ano, ou seja, 6 horas/mês. Destaca-se que 31% dos voluntários são jovens, na faixa de 18 a 34 anos de idade e, nos últimos 5 anos, o
voluntariado jovem cresceu de 7 para 34%.
História do Voluntariado no Brasil
Fonte: Revista Integração
O voluntariado surgiu no Brasil no século XVI, quando organizações religiosas, na sua maioria católicas, introduziram esse tipo de atividade em instituições ligadas à saúde – as chamadas Santas Casas -, seguindo o modelo trazido de Portugal. A primeira Santa Casa de Misericórdia foi implantada em 1543. Durante muitos anos, o trabalho era essencialmente feminino. Em 1930, o Estado passou a desenvolver políticas públicas voltadas à assistência social, atuando nas instituições filantrópicas.
Com a chegada da década de 90, o trabalho voluntário cresceu, tanto em consciência, quanto no número de voluntários, e ganhou força com a construção do Programa Voluntários, da Comunidade Solidária, no ano de 1996, constituindo, em 16 estados e no Distrito Federal, mais de 30 Centros de Voluntariado.
No dia 18 de fevereiro de 1998, o então presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei nº 9.608/98, estabelecendo os limites legais entre o voluntário e a relação de trabalho.
Atualmente, segundo o Censo de 2005, o Brasil conta com mais de 19.7 milhões de voluntários, sendo 53% homens e 47%, mulheres.
Veja a cronologia do voluntariado no Brasil.
Voluntariado no Mundo
No mundo todo, entre 10 e 20% da população adulta são voluntários em organizações não governamentais. O potencial de crescimento nessa área é imenso: 45% da população demanda mais oportunidades de voluntariado. O voluntário gera em diversos países desenvolvidos mais de 5% do PIB em bens e serviços sociais. O valor das operações, entre rendas e trabalhos gratuitos, na Europa Ocidental superou US$ 500 bilhões anuais em 1995; nos Estados Unidos, US$ 675 bilhões; e no Japão, US$ 282 bilhões (Fonte: Johns Hopkins University). Apesar de tanto esforço há ainda um longo caminho pela frente. Em outubro de 2005, a Health Volunteers Overseas divulgou um estudo com alguns dados sobre a saúde mundial que apontam as áreas que precisam de atenção mais urgente. As informações poderiam servir de foco para as ações voluntárias internacionais.
- 3 bilhões: número de pessoas no mundo que tem pouco ou nenhum acesso à health care;
- 3 bilhões: número de pessoas no mundo que vivem com menos de $2 por dia;
- 1.2 bilhão: número de pessoas no mundo que vivem com menos de $1 por dia;
- 11 milhões: número de crianças (cinco anos de idade ou menos) que morrem de doenças, com tratamento existente, todo ano;
- 1 milhão: número de profissionais de saúde que a África precisa para prover mínimas condições de saúde à sua população
- 500 mil: número de mulheres no mundo que morrem anualmente de complicações no parto devido a falta de acesso à saúde básica
- $11: Média de gasto anual em saúde por pessoa em países pobres
- $4,500: Média de gasto anual em saúde por pessoa nos EUA
- $1.3 bilhão: Investimento anual adicional necessário para imunizar todas as crianças do mundo
- $18 bilhões: Montante gasto anualmente pelo mundo em cosméticos




