Por Luana Elen – São Paulo (SP) – Wealth Management Services

Minha história de vida iniciou-se de uma ação solidária. Quando meus pais se separaram, minha mãe viu-se diante de uma situação complicada, com quatro filhos (eu ainda bebê, menos de um ano de vida) para sustentar e criar sozinha. Meus irmãos ainda eram pequenos demais para cuidar de mim e após seguidas tentativas frustradas de conseguir uma babá, uma vizinha ofereceu-se para tomar conta de mim enquanto minha mãe estava no trabalho. Essa vizinha era uma senhora que não teve filhos, morava com seu marido e ambos já tinham idade avançada. Esse casal sempre foi muito generoso e cuidava de mim com tanto carinho que aos poucos eu não queria voltar para a casa da minha mãe. Fui ficando mais na casa deles do que na casa de minha mãe. Como eram vizinhos de porta, mesmo saindo do trabalho e passando a trabalhar em casa, minha mãe ficou sensibilizada por ver o tamanho do carinho que esse casal de senhores tinha por mim e não quis me tirar da casa e dos cuidados deles. Acabamos formando uma grande família, com uma ligação muito maior que a dos laços sanguíneos. Desde muito nova, compreendi que podemos fazer o bem, e que não há pagamento melhor que o sorriso de alguém que foi beneficiado por alguma ação nossa. Minha família era unida pura e simplesmente pelo coração. Eles foram os maiores responsáveis pela minha criação e sempre me ensinaram a fazer o bem e ser solidária com os outros. Sempre que alguém passava por dificuldades eles davam um jeito de auxiliar e aquilo semeou um sentimento de solidariedade em meu peito. Os entitulei de meus “avós” ainda quando pequena e após o falecimento do meu ‘avô’, em 2004, minha ‘avó’ foi ficando com a saúde debilitada. Então trocamos de papel e eu passei a cuidar dela. Ela tornou-se minha criança, assim como eu fui a dela. Foi em 2008, após minha avó enfrentar um problema grave de saúde, que apareceu a primeira oportunidade de ação social, quando por meio de amigos que formavam um grupo de jovens voluntários realizei minha primeira atuação. Fomos a uma comunidade carente, localizada na zona sul, levar recreação, doces e alegria para o Dia das Crianças dos moradores. Foi uma experiência transformadora. Com esse grupo participei de várias ações, realizamos visitas a abrigos, orfanatos, asilos e comunidades, levando recreação, alimentos, roupas, brinquedos, carinho e atenção para essas pessoas à margem da sociedade. Em parceria com outros grupos de jovens, reformamos uma instituição e participamos de vários multirões de saúde, levando conscientização e orientação para os cidadãos. Como voluntária no Itaú Unibanco, já participei das Olimpíadas da Língua Portuguesa, Sábado Voluntário (projeto Arrastão), Projeto Estudar Vale a Pena e da capacitação do projeto Uso Consciente do Dinheiro, do qual ainda não realizei aplicação. Representando a Instituição, participei também da Caravana Meu Bolso em Dia, promovida pela Febraban em novembro de 2010. Durante este ano estive em alguns dos encontros “Voluntários em Questão”, onde pude trocar experiências com os demais voluntários e conhecer novas oportunidades de atuação, bem como trazer meus amigos voluntários de fora do banco para interagir com os colaboradores que realizam ações voluntárias. Dentre todas as ações, destaco o Estudar Vale a Pena, projeto imensamente eficaz, que dá ao voluntário a oportunidade de expor seus conhecimentos e experiências pessoais, com objetivo de mostrar aos jovens que, apesar de uma origem humilde, todos temos possibilidades para conquistar nossos sonhos. Quando vi a oportunidade de atuação fiquei muito empolgada, pois venho de escola pública, entrei no banco por meio do projeto de capacitação e encaminhamento de uma ONG e ingressei no ensino superior pelo PROUNI (Programa Universidade para Todos, do Governo Federal). Queria muito poder inspirar outros jovens, mostrando que só com conhecimento e educação podemos construir um futuro melhor. Ganhei muitos amigos, não só os beneficiados pelas ações de que participei, mas também muitos amigos voluntários e, agora, neste finalzinho de ano que nos resta, já estamos programando para 2011 diversas ações, para que possamos fortificar nossa amizade por meio daquilo que nos uniu e nos traz grande satisfação, o voluntariado. Acredito que essa é a forma mais eficaz de nos transformarmos e entendermos o significado real da felicidade. Quando enxergamos que o pouco que podemos fazer poderá realizar grandes transformações na vida de outras pessoas, com certeza nos tornamos seres humanos melhores e exercemos um pouco do nosso dever, como cidadãos desta sociedade. O trabalho voluntário transformou minha vida desde o início e hoje tem o papel de me mostrar o que eu posso fazer pela comunidade e pela minha família, pois quando estamos diante dos problemas dos outros os nossos próprios acabam tornando-se muito pequenos, perto de tudo de bom que temos e podemos oferecer.