Regina Celis Rodrigues Savoia – São Paulo (SP) – Área de Tecnologia
Cachorreira. É bem assim que me sinto. Há quase três anos perdi meu querido Husky Siberiano Kauê, de velhice mesmo. Ele já era filho de meu outro Husky, Vallery, que também viveu 16 anos. Eles cresceram em casa, com quintal, sol, espaço pra correr, portão pra quebrar e fugir, gatos pra perseguir… essas coisas de cachorros. Como o quintal era grande, montava pra eles a piscininha do meu filho. E nos dias de verão os dois entravam e “cavavam” toda a água de dentro pra fora da piscina. Alguns anos atrás mudei para um apartamento e nessa época só o Kauezinho foi comigo. Já tinha oito anos. Sinto que não foi o melhor pra ele, mas eu o queria perto de mim, apesar da falta de espaço. Deve ter sido bom, porque ele viveu ainda mais oito bons anos. Bem cuidado, bem alimentado, bem mimado, passeando muito, com todo carinho, até que teve um derrame e depois de dois meses na cama ele… foi embora. Graças a Deus, no tempo dele. Sozinho. Quer dizer, comigo e com meu filho junto dele. Mas não precisei colocá-lo para “dormir”. Não teria coragem jamais. A veterinária dele também é contra a eutanásia. Eu ainda estou de luto. E, nesse luto, uma amiga me retransmitiu um e-mail do banco com o seguinte título: “Esta ação é animal”. Gostei, aceitei e fui assistir à palestra no CEIC num sábado de manhã. Bastante educativa. Havia dois profissionais do Instituto de Zoonose que esclareceram um tabu enorme que toma conta da cidade toda: “a malfadada carrocinha”. Foi ótimo conhecer o trabalho desses agentes da Zoonose. Acabei por entender que a “carrocinha” foi e é um mal necessário para controlar a epidemia de raiva que assolou nossa cidade em décadas passadas, mas graças a um trabalho incessante de agentes foi totalmente erradicada. Hoje está sob controle. Uma cidade grande como a nossa, com uma população crescente e, infelizmente, desinformada. Tenho certeza de que muitos de nós não temos a menor noção do que vem a ser o trabalho das Zoonoses. Fiquei sabendo que a partir de 2008, devido à aprovação de uma lei da câmera dos vereadores de São Paulo, é proibido eutanasiar animais sadios. Ou seja, os animais que são resgatados na rua e estão sadios são tratados, castrados, vermifugados, recebem registros e vão para adoção. Enquanto estão na espera de um lar, são alimentados, banhados, cuidados e precisam passear. Fazer exercícios. Aí entra a Fundação do Banco e o Voluntariado. Bem, me inteirei dos trabalhos, assisti a várias palestras e começou meu “treino” para me tornar “voluntária”, ou melhor, “passeadora de cães”. Beleza! Pensei: “Consegui um trabalhinho voluntário com os cães. Vou participar todos os domingos da “Cãominhada”. Levarei os bichos pra passear e dar muitos beijos, abraços, pegar no colo, carinho”. Não é nada disso… O trabalho é muito sério. Tive de aprender o que pode e o que não pode fazer com o cãozinho, nem todo carinho é bem-vindo pra aqueles que foram “catados” na rua, perseguidos, laçados, assustados. É um trabalho de formiguinha mesmo. Conquistar aos poucos a confiança deles. Cada um tem uma personalidade, uma história de vida. Tem até a terapia do abraço. Os voluntários mais antigos, com mais prática na Zoonose, mais preparados, fazem a terapia com os cães que precisam de “abraço”. É lindo! Cada manhã de domingo pra mim é uma festa. Vou pra lá e o latido da bicharada é uma delícia. Parece que eles falam: “Hoje é domingo… vou passear… oba … me leva … oi, eu tô aqui”. Que alegria. O barulho dos latidos é ensurdecedor. Mas, pra quem é “cachorreira”, é música da melhor qualidade… Tem um cão lindo, grande sabujo, parece um perdigueiro. Dócil, manso, aceita carinho de todo mundo. Bem, o nome dele é Sultão. Recentemente trocamos o nome dele para Cesar Cielo. No alto verão de janeiro/fevereiro, naquele calor de 30ºC, colocamos algumas bacias cheias d’água pra cachorrada se refrescar. Quando o Sultão chegava perto das “piscinas” ele dava um verdadeiro SHOW. Ele é muito grandão, patas grandes, não cabe nas bacias. Mas ele não quer nem saber. Entra todinho e tira toda a água de dentro, joga água em todo mundo. “A piscina é só minha!” Um verdadeiro Cesar Cielo de 4 patas. Com todo respeito… Que festa… Que maravilha… E adivinhem de quem eu me lembro nessas horas? Dos meus queridos Huskies…
Minha gratidão é imensa pela oportunidade que a Fundação me deu de encontrar um trabalho tão gratificante e abençoado.





gabriel donizete leite:
Regina parabéns pela sua história, que Deus a abençõe e que vc. continue ajudando sempre esses pobres animais, levando alegria e carinho. A minha história não é muito diferente, tb. ajudo animais abandonados, sou protetor e a minha esposa participa de várias feiras de doações, mais uma vez parabéns.