Por Andreia Pazzinatto – Santa Maria (RS) – Banco Pessoa Física – Agências

Aos dezoito anos, assim que comecei a faculdade de Administração, eu ainda não trabalhava e então achei ótima a ideia de fazer um trabalho voluntário com algo que eu gostava e dominava: a matemática. Na época não parava de aparecer na TV o projeto Amigos da Escola, no qual pessoas da comunidade, pais de alunos, etc. se candidatavam para ajudar a escola no que fosse preciso: poderia ser contar histórias para as crianças, pintar as paredes do colégio… enfim, como minha mãe era professora de uma escola pública, falei com ela, e para minha surpresa estavam precisando de alguém para dar aulas de reforço de matemática para alunos da sexta e sétima séries, que estavam em dependência nessa disciplina e que precisavam de boas notas para não perderem o ano letivo.

Foi uma experiência maravilhosa, diariamente eu preparava as aulas, listas de exercícios e avaliações. E foi um grande desafio também, pois todos ali tinham horror à matemática.

Cada melhora, cada novo aprendizado e descoberta daqueles jovens, que tinham entre 12 e 14 anos, era muito gratificante pra mim. Muitos chegaram a dizer que passaram a gostar da matemática.

Pena que só durou oito meses, pois logo comecei a estagiar em uma empresa durante todo o dia e com o coração apertado tive que me despedir. Passados uns seis anos mais ou menos, já trabalhando no banco em um PAB dentro da Academia Militar em Resende-RJ, estava eu responsável pela abertura de contas dos novos recrutas que estavam se alistando no quartel e, no meio daqueles homens já adultos e fardados, duas faces me pareciam bem familiares e não me contive em perguntar se tinham estudado em determinado colégio. A resposta veio em coro: “Sim, e a senhora foi nossa professora!”. Meus olhos se encheram de emoção na mesma hora. E descobri que um estava cursando faculdade de Psicologia e o outro Direito, ambos no curso noturno e que a matemática nunca mais foi um problema para eles depois das aulas de reforço. É muito bom saber que pude ajudar de alguma forma esses jovens. Não tem preço esse sentimento.