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Confira as principais questões levantadas pelos participantes e os comentários de Fábio Ribas a respeito delas
1. Sobre o mito de achar que o idoso é incapaz.
Segundo Fábio, é um mito achar que o idoso não é capaz de lidar com a informática ou que é incapaz de lidar com a tecnologia de uma forma geral. Também criticou o fato do idoso ser olhado como um peso na nossa sociedade.
Ele destacou a importância econômica do idoso em alguns projetos turísticos. Neles, os idosos são consultados para manter viva a história local, costumes etc. Um desses projetos está em Minas Gerais e recupera o conhecimento dos idosos como patrimônio sócio econômico.
2. O que fazer quando houver desrespeito ou descaso com o Idoso?
Segundo Fábio, as crianças e os idosos estão amparados pela Constituição. O respeito pelo idoso é matéria de direito e existem diversos órgãos que podem ser acionados para garantir esses direitos. Como exemplo, ele citou a Procuradoria do Idoso, e algumas delegacias que podem ser acionadas nestes casos.
Ele também chamou a atenção para as diversas formas de desrespeito ao idoso que existem. “Devemos ficar atentos para ver se nós não estamos participando delas. Uma maneira de desrespeitar o idoso, é chamá-lo no diminutivo, infantilizando a relação com ele. A infantilização do idoso é uma forma de desrespeito”.
3. O conceito das 6 idades do ser humano
Um participante pediu para que o Fábio falasse sobre as seis idades do ser humano. Ele disse que desenvolveu este conceito a partir de um encontro com Ariano Suassuna, que falava sobre 5 idades. As 6 idades ou fases da vida segundo Fábio Ribas são:
- Infância
- Adolescência
- Juventude
- Maturidade
- Velhice
- Decrepitude
Esta última fase é o momento do morrer, e pode chegar antes de outras fases. Esta é uma forma de quebrar aquela “caixinha” das 3 idades (“terceira idade”). A vida é um curso, cada um vive isso de uma forma, sendo assim, é melhor flexibilizar esse conceito pois a velhice não é igual pra todo mundo!
Um participante complementou dizendo que existem pessoas idosas que não se veem como pessoas da 3a idade e acham ruim quando são enquadradas neste termo.
4. Relacionamento com pais idosos e envelhecimento ativo
Um participante colocou a seguinte inquietação: “Os adultos são menos pacientes com os idosos que as crianças... as crianças querem ser ouvidas e o idoso tem esse ouvido... Hoje somos nós que dizemos para os velhos “você não pode fazer isso”. Era o que nossos pais faziam e agora nós fazemos com eles. Mas não quero que façam isso comigo quando eu chegar na velhice...”
Para Fábio Ribas, isto é o desafio contemporâneo. Saber escutar, ter tempo pra escutar e ter tempo pra refletir sobre tudo isso. Isto tem haver com a estrutura familiar e com o que conservamos nestas estruturas familiares. Como é que nós queremos criar nossos ambientes familiares hoje?
“Queremos nos manter num espaço de convivência onde o idoso é tido como um peso ou um agente sem capacidade de decisão em nossa família? Queremos passar esta forma de olhar os idosos para nossos filhos, para que eles tenham este mesmo conceito em relação a nós quando envelhecermos?”
Fábio falou então do Envelhecimento Ativo, um conceito da Organização Mundial da Saúde que diz que o idoso deve ser estimulado a decidir, a tomar suas próprias decisões. “Precisamos criar esse espaço para ajudá-lo a refletir.”
5. A Ética do Cuidado
Uma participante do encontro disse: “Não é só para os idosos que a gente não dá atenção! Não damos atenção para ninguém! O idoso é só um reflexo dessa falta de cuidado que perpetuamos. Somos todos culpados! A gente não se olha na rua, está sempre numa correria, não damos atenção que nossos filhos merecem... É preciso cuidar de todos! Soa falso pensar em cuidar só do Idoso”.
Fábio falou então que a moldura de tudo é a ética do cuidado. Citou exemplos de projetos como o Condomínio Amigo do Idoso que tem uma abordagem sistêmica em relação aos cuidados com os idosos e a convivência entre gerações.
Luiz Algarra da Papagallis ressaltou que cuidar um dos outros não é algo que precisa ser adquirido, mas sim algo que precisa ser resgatado pois cuidar faz parte da essência do ser humano.
6. Saudosismo, convivência entre gerações, tecnologia e oportunidades
Um ponto muito comum no encontro, foi a convivência entre as gerações e as dificuldades que existe nela. Algumas falas dos participantes:
“Os idosos tratam a vida no passado como a vida real... como se agora não fosse a vida.”
“em algumas culturas o idoso é colocado como “a última palavra”. A última palavra é do idoso.”
“Falamos de incentivar o idoso a participar intensivamente da vida. Hoje todo mundo tem um celular... por que o idoso não tem um? Por que não ensinamos nossos idosos a usar um celular?”
“O idoso tem essa coisa de “no meu tempo...”. Temos que incentivá-los a estar nesta geração...”
Fábio então falou novamente do mito de achar que o idoso não consegue lidar com eletrônicos e que nossa falta de paciência em ensiná-los acentua essa distância entre gerações.
Fábio então disse que o ideal é ensiná-los em momentos em que não hajam conflitos. O ideal é fazer isso quando está tudo bem, mantendo o idoso no nosso tempo. “Quando o conflito surgir, não é o momento de fazer isso. Se isto (ensiná-los e capacitá-los) virar um hábito, talvez seja um caminho.”
Fábio citou então um exemplo de Condomínio Amigo do Idoso que fez uma parceria com uma loja de celulares. Os atendentes da loja foram treinados para realizar um atendimento mais interessante pro Idoso, identificando os celulares mais adaptados para eles etc. Isto deu um retorno muito positivo para a loja.
Fábio ressaltou que o público idoso é se fideliza mais que outros públicos quando gostam de um serviço ou produto e que isso deveria ser mais considerado pelas empresas.
Um participante completou:
“O idoso fideliza... depois que você conquista é difícil ele mudar de marca”
7. Exploração e violação financeira do Idoso
Em resposta ao questionamento de um dos participantes, Fábio Ribas iniciou uma conversa sobre a violação financeira do Idoso: “Quem mais viola o idoso são os familiares. Uma das grandes formas de violação é a financeira... fazer empréstimos no nome do idoso. Pela legislação, o dever de cuidar do idoso é do Estado, da família e da comunidade. A família pode ser processada inclusive por abusos como esse!”
Um participante complementou: “Existem muitas pessoas que tomam conta do cartão do idoso. Param de trabalhar para ficar com parte do dinheiro do idoso.”
Fábio disse então que qualquer cidadão pode e deve fazer uma denúncia caso identifique uma violação do idoso. Os seguintes órgãos podem ser acionados:
- CREAS: Centro de Referência Especializado de Assistência Social.
- CRAS: Centro Referencia da Assistência Social.
- Delegacia do Idoso.
- Centro de defesa dos Direitos do Idoso.
- Ministério Público.
Fábio ressaltou que grande parte das denúncias que estes órgãos recebem se referem a abusos financeiros. Um dos participantes relatou que tem conhecimento de alguns bancos que, ao precisar fechar metas no final do mês, acaba fazendo qualquer tipo de empréstimo, inclusive esses abusivos ao idoso.
Em seguida, dois participantes deram os depoimentos a seguir: “Tem bastante idoso que não sabe que está acontecendo isso (o abuso financeiro). E não sabem como fazer isso também.” “Cuido de minha mãe, inclusive financeiramente e vejo os bancos atuarem predatoriamente junto aos idosos. Pra ter uma ideia, tentaram vender um plano de aposentadoria pra minha mãe, que já é aposentada!”
Como sugestão aos bancos, Fábio Ribas falou que o banco que quiser sair na frente, deve melhorar ou facilitar a linguagem que é usada com o idoso, elaborar cartilhas especiais para este público e principalmente treinar seus funcionários que fiquem atentos a abusos como este, onde um familiar manipula um idoso para fazer empréstimos. “Quem fizer isto sai na frente, e passa uma imagem de responsabilidade e ética para o mercado.”
8. Empregabilidade do Idoso
Segundo um dos participantes, umas das principais razões do definhamento do Idoso é parar de trabalhar e se sentir improdutivo.
Segundo Fábio Ribas, empregar pessoas idosas é altamente recomendável para quem contrata e para o próprio idoso. Pessoas mais velhas são maturas, tem muita inteligência e capacidade. “Vamos quebrar o mito de que ele não sabe fazer, que é esquecido.”
Além disso, Fábio Ribas disse que a empregabilidade da pessoa idosa faz parte de um dos índices de sustentabilidade empresarial do instituto Ethos e citou casos como o Sebrae que tem inovado em diversas questões, emprega idosos atualmente e tem alguns projetos de reinclusão do idoso no mercado de trabalho.
Por fim, citou alguns projetos de inclusão e capacitação para o empreendedorismo do idoso, principalmente no nordeste do país.
Os participantes receberam uma pasta com diversos materiais impressos sobre o idoso. Se você também tem interesse em receber, envie uma mensagem para o outlook “VOLUNTARIOS ITAU UNIBANCO”, mencionando o nome do evento “Voluntários em Questão”.
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