O voluntário Paulo Pedro é surdo, ensina LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais - desde 1990 e ainda desenvolve corridas de rua junto a outros deficientes auditivos. Em entrevista ao Itaú Voluntário, Paulo Pedro conta como lida com as dificuldades e o preconceito e de que forma pretende contribuir para a inclusão social.
Itaú Voluntário – Desde quando você trabalha no Itaú?
Paulo Pedro – Trabalho no Itaú desde 1997. Antes de entrar para o Itaú, eu era funcionário do BANERJ, banco que foi incorporado ao Itaú. Eu e mais uns 50 surdos que estavam no BANERJ entramos assim. Hoje, todos são colaboradores nas agências do Itaú espalhados pelo estado do Rio de Janeiro.
Itaú Voluntário – Como é o seu trabalho no dia-a-dia?
Paulo Pedro – Necessito estar bem atento para fazer uma boa leitura labial, pois trabalho nos caixas eletrônicos e atendo clientes. Mas, algumas vezes, solicito que escrevam o que querem. Tenho que ter, além de visão aguçada, muita habilidade com as pessoas idosas, pois a maioria é de aposentados. Graças a Deus, tenho me saído bem e feito muitas amizades. Porém, há aqueles que não querem ser atendidos por um deficiente. Confesso que me magoam, mas como sou muito alegre, esqueço esses capítulos ruins da minha vida.
Itaú Voluntário – Em que momento da sua vida você decidiu se tornar um voluntário?
Paulo Pedro - No momento em que passei a correr pelas ruas do Rio, em 1998 ,quando fiz minha primeira corrida de 10 km. Comecei a descobrir meu lado voluntário. No meio de uma corrida, levava água para dar de beber aos atletas que estavam esgotados. Na chegada, sempre recebia um agradecimento bem caloroso. Assim, foi nascendo em mim um espírito de voluntário porque sentia uma vontade enorme em ajudar as pessoas. E até hoje é assim no meu trabalho.
Itaú Voluntário – No seu perfil, há três ações desenvolvidas por você: ensino de LIBRAS, Equipe de Deficientes e Corrida dos Surdos. Desde quando você desenvolve essas iniciativas?
Paulo Pedro – Ensino a LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais - desde que comecei a fazer parte de um grupo de pesquisa da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos - FENEIS. Isso foi em 1990. Desde então, ensino a Língua de Sinais. Já ensinei em vários estados do Brasil e tive muitas experiências como voluntário. A equipe de deficientes da qual participo nasceu em 2004, por meio das corridas de ruas. Corremos para termos saúde e, acima de tudo, mostrar que somos diferentes, mas iguais. Isso é inclusão social. A corrida dos surdos é um evento anual. Comecei a realizar esse evento em 2003. Serve para divulgar a cultura Surda e arrecadar alimentos.
Itaú Voluntário – Como são as corridas?
Paulo Pedro – Há corrida dos surdos, corrida da primavera, corrida do dias dos pais, etc. Todas têm um objetivo. Algumas corridas têm patrocínio de empresas, então, os organizadores oferecem um prêmio para os cinco primeiros colocados na categoria masculina e feminina e, as demais, pela faixa etária. Todos os atletas podem participar de uma corrida e no momento da inscrição assinam um documento de responsabilidade no qual declaram que estão em perfeito esta de saúde e preparados para a competição.
Itaú Voluntário – Como surgiu a idéia de realizar esse tipo de competição?
Paulo Pedro – Quando vi muitos ouvintes organizando corridas para arrecadar alimentos e doar para alguma instituição.Tive a idéia de ajudar o Mutirão de Natal de uma instituição chamada ADRA, uma agência de voluntários que existe no mundo inteiro. A ADRA arrecadou, graças ao mutirão de Natal, 8.890 toneladas de alimentos em todo o Brasil apenas no ano de 2006.
Itaú Voluntário – A quem você ensina a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e como você faz?
Paulo Pedro – Todas as pessoas que têm contato com surdos procuram o curso de LIBRAS: pais , amigos de surdos, profissionais, etc. Como disse, fiz parte de um grupo de pesquisa da Língua de Sinais, em 1990. Uma lingüística estava preparando um tese para provar que a LIBRAS é uma língua como qualquer outro língua existente no mundo, assim como o português, e que possui estrutura gramatical própria. Daí em diante, passei a desenvolver um método de ensino pratico para que os ouvintes aprendessem. Desenvolvemos duas apostilas e um vídeo do professor e do aluno.
Itaú Voluntário – Quais foram as maiores dificuldades para dar início às corridas? Como foram superados?
Paulo Pedro – Minha maior dificuldade em correr no início foram as dores nas pernas. Quando realizei minha primeira corrida, nem imaginava que teria de correr 10 km. Foi uma tortura! Cheguei mancando. Fiquei uma semana com dores. Após muitos treinos, superei e agora estou sarado! Corro para ter saúde e um corpo bonito.
Itaú Voluntário – Como é possível ajudar nesses eventos?
Paulo Pedro – A corrida dos Surdos necessita de patrocínio. O patrocinador oferece camisetas, água, frutas, medalhas, troféus, numeração do peito e o que mais for preciso. Mas não é apenas um patrocinador: cada um oferece apoio de acordo com seu poder aquisitivo. Tudo isso será revertido em alimentos não-perecíveis para serem doados a uma instituição, assim, todos ganham: os atletas praticam esporte e, ao mesmo tempo, ajudam os pobres.
Itaú Voluntário – Você acha que ainda existe muito preconceito no Brasil contra o deficiente?
Paulo Pedro - Sobre preconceito, acredito que muitas pessoas estão má informadas sobre um determinado deficiente. Vejam só: deu no jornal que um deficiente com Síndrome de Down não podia viajar para um país porque poderia necessitar de alguma ajuda e que, lá, eles não saberiam como proceder. Estamos em pleno século XXl e uma coisa dessas acontece! Mas há aquelas pessoas que realmente não gostam de ficar perto de "anormais", então, discriminam. Ao meu ver, elas é que são anormais, pois não reconhecem sua própria deficiência, que é a falta de amor.
Itaú Voluntário – Em sua opinião, como esse conceito pode ser reformulado?
Paulo Pedro – Para reformular esse conceito, seria necessário mudar as pessoas. É isso que dificulta as relações. O que a sociedade está fazendo não sai do papel porque requer uma mudança de caráter. Porém, não quero ser pessimista. Acredito que informações sobre esse assunto ajudam bastante. O Parapan realizado aqui do Rio foi lindo! Vendo aqueles atletas deficientes se superando, acredito que muitas pessoas passaram a respeitá-los.
Itaú Voluntário – O que você espera do futuro dos voluntários?
Paulo Pedro – Os voluntários são pessoas que amam. Enquanto existir amor, também existirá voluntários . Então, para mudar o mundo, tem que vencer. Há uma frase da bíblia que diz: “Eu (Jesus Cristo) venci o mundo”. Como Ele venceu? A bíblia mesmo responde: “Saia, Jesus, fazendo o bem a todos os atormentados.” Só poderemos mudar o mundo fazendo o bem.
oi!paulo gostei de vc.
parabens...
sou qual vc....tenho 24 anos
poderia se ajudasse,
pois mim chamaram o banco itau..
eu estou com medo que naum dar certo..
como é o entrevisto e depois fazer as provas..
paulo mim der o conselho ......valew!!!
gerson GERSON CARLOS DE OLIVEIRA ANDRADE (São Gonçalo /
RJ)
16/10/2007 - 8:00:28
Grande Paulo,
Não há o que falar da sua maravilhosa entrevista, parabens!
lucienevalbao Luciene Valbao de Medeiros (São Paulo /
SP)
15/10/2007 - 13:00:08
Paulo parabéns pela entrevista !!!
Graças a depoimentos iguais ao seu é que podemos compartilhas experiências tão incríveis, e ver que pessoas que são ditas "diferentes" são na verdade aquelas que podem nos fazer ver as coisas de uma forma diferente, pois elas tem o privilégio de Deus ter dado o maior dom, o de olhar as pessoas simplesmente como são, simples seres humanos...
adorei a entrevista, fantástica personalidade vocês nos trouxeram. Parabéns ao Paulo pelo ser humano maravilhoso que é.
tatianaroberta tatiana (rio de janeiro /
RJ)
08/10/2007 - 17:00:55
Parabéns pela entrevista!
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